Terceirização reduz custos em diferentes atividades

por TBS Consultoria

Por Martha Funke |

A terceirização de equipamentos, processos e equipes está permitindo a pequenas e médias empresas cortar custos e facilitar a gestão. No escritório brasileiro da Battelfeld Cincinnati, grupo europeu que atua com extrusão, tubos, perfis e máquinas para embalagens e fornece equipamentos para marcas como Tigre e Brasilit, a terceirização de sua frota de três veículos evitou desembolso de capital e eliminou a administração.

A empresa estabelecida em 2013 atua nas áreas de vendas, serviços e assistência técnica. A equipe insatisfeita com o sistema de uso de carro próprio com remuneração por quilometragem levou à análise das alternativas compra, leasing e terceirização.

Além da gestão, os dois primeiros casos exigiriam desembolso imediato de capital e gestão da frota, mesmo que, no caso do leasing, o gasto inicial caísse em 60%, sem imobilização do ativo, com parcelas descontadas como despesas. Com a terceirização, documentos e manutenção ficam a cargo da BestFleet, com custo mensal semelhante ao do leasing. “Incluindo gasolina, o Citroen C4 e os dois Chevrolet Cobalt custam R$ 7,5 mil mensais”, diz o diretor geral Cassio Saltori, que terceiriza também serviços de assistência técnica para manter cobertura nacional em caso de indisponibilidade do responsável.

A construtora e incorporadora Akylas Patrimonial adotou processo semelhante na área de tecnologia da informação (TI). O processo foi iniciado em 2009 com a contratação de sistema de gestão (ERP) e datacenter da Corpflex e chegou à nuvem para ganhar custo, eficiência e mobilidade para atender a necessidade de inchar ou reduzir a estrutura sem perder qualidade e velocidade na implantação de TI nas diferentes operações.

Inicialmente, segundo o presidente da Akylas, Gustavo Nicolau, os gastos com a estrutura interna de equipe e servidores parecem mais baixos. Os ganhos de escala aparecem na medida do uso e de referências da estrutura de custos, como impostos, turnover e gestão do parque. Além de sustentar a elasticidade do negócio, o uso da nuvem também ajudou na economia. “Com maior concorrência no setor, no ano passado conseguimos redução de custo de 35% com renegociação de contratos”, diz.

Já a Sontra Cargo terceirizou equipes mundo afora para contornar custos elevados no Brasil e atender necessidades temporárias. A empresa nasceu em 2013 com a criação de uma plataforma para conectar caminhoneiros autônomos e fretes. Em dois anos sua equipe saltou de duas para mais de 25 pessoas, para atender 80 mil caminhoneiros ativos e 12 mil clientes, com processamento de R$ 100 milhões mensais em fretes.

Uma das medidas foi contratar engenheiros terceirizados em Buenos Aires. “Mesmo pagando acima da média local, os valores ficam entre 30% e 40% mais baixos para os profissionais. No custo do escritório, chega a 60%”, diz o CEO Federico Vega. Telemarketing, melhoria de posicionamento no Google e departamento financeiro também contam com apoio terceirizado ­ a empresa tem funcionários fixos na Inglaterra, nos Estados Unidos, no Chile e na Espanha.

Franqueadoras vão pelo mesmo caminho. A Ortodontic Center, especializada em serviços odontológicos, terceirizou a TI em 2009, a segurança logo depois e, este ano, a limpeza. A expectativa é reduzir custos em 15% ao longo do tempo, segundo a diretora comercial Cláudia Consalter.

Além de eliminar despesas especializadas, como licenças de softwares para desenvolvimento e certificações como da Polícia Militar, reduziu custos com treinamento, equipamentos de segurança (EPIs) e contratação de serviços especializados, como limpeza de vidros, tetos e luminárias. Dos 75 funcionários, cerca de dez são terceirizados. “Mensalmente, o gasto é parecido, as diferença são o 13º salário, as férias, a substituição em faltas e a redução na sobrecarga da área de recursos humanos”, diz Claudia, que vai recomendar medidas similares aos franqueados para melhorar a rentabilidade.

A Helado Monterrey, fabricante de sorvetes e franqueadora, terceirizou sua área de expansão para um escritório com dois executivos, duas coordenadoras e uma pessoa de inteligência de mercado. “A contratação traria custo quase quatro vezes maior”, calcula o diretor geral Pablo Rocha. Já a Hoken, além de terceirizar o serviço de cobrança de inadimplentes há mais de 90 dias, criou uma empresa de call center, a Paraíso das Águas, para fornecer aos franqueados serviços de vendas de cartuchos para os clientes, oferta que já atraiu 20% da rede. “A redução de custo com cobrança chegou a 52%, com melhoria nos resultados acima de 10%”, diz o gerente Wesley Rangel Lopes.

Fonte: Valor Econômico
Acesso: 29 Jun. 2015

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